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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Peça

Pop Five Music Incorporated
A Peça
Orfeu XYZ 140
1969
LP

Prelúdio:
1a. Overtüre [Pop Five Music Incorporated]
Acto I (Soft):
1b. Jesus, Alegria dos Homens (Johann Sebastian Bach - arranjo: Pop Five Music Incorporated)
2. Blackbird (John Lennon - Paul McCartney)
3. To Love Somebody (Barry Gibb - Maurice Gibb)
Acto II (Crescendo):
4. Medicated Goo (Steve Winwood)
5. Proud Mary [John Fogerty]
6. Mess Around [Ahmet Ertegun]
Acto III (Climax):
7. Hush [Joe South]
8. Fire (Jimi Hendrix)
9. Sour Milk Sea (George Harrison)
10. C'Mon Down To My Boat [Wes Farrell - Jerry Goldstein]
Finale (Histerical):
11. Can I Get a Witness [Eddie Holland - Lamont Dozier - Brian Holland]

Paulo Godinho: voz, guitarra, órgão hammond, piano, interjeições
Pi Vareta: voz, guitarra, guitarra baixo
Tozé Brito: voz, guitarra, guitarra baixo, fuzz
David Ferreira: voz, guitarra, órgão Hammond, piano, percussões
Álvaro Azevedo: bateria, percussões

Este trabalho tem várias características que o tornam um disco marcante na música nacional. Em primeiro lugar, é um dos três únicos LP's de pop rock editados por um grupo português na década de 1960 e o primeiro de uma formação não sediada em Lisboa. Depois, foi uma aposta arriscada de um editor que sempre se pautou pela diferença - Arnaldo Trindade - este acto de lançar para o mercado um álbum de pop rock nitidamente afastado das canções mais triviais, ainda para mais de um grupo que até então só tinha em carteira dois EP's (situação idêntica à da Filarmónica Fraude, aliás, que assinou contrato com a Philips numa altura em que a editora pretendia deitar cartas no pop rock nacional). De destacar, também, a ambição do grupo em conceber o álbum como se de uma peça teatral se tratasse, com as respectivas partes bem delineadas, o que também ficou presente no próprio grafismo do álbum, da responsabilidade do fotógrafo (e então piloto desportivo) João Paulo Sottomayor. Em último lugar, três dos músicos aqui presentes seguiram depois carreiras musicais de reconhecido valor e importância: Alvaro Azevedo, nos Arte & Ofício e Trabalhadores do Comércio; Paulo Godinho, como baixista em vários trabalhos marcantes da década de 1970, hoje a morar no Japão; e Tozé Brito, que passaria logo de seguida para o Quarteto 1111 e que dispensa quaisquer outras apresentações. Em termos do reportório gravado, não há aqui lugar para originais, mas as versões de temas dos Beatles, dos Bee Gees, de Jimi Hendrix, dos Traffic ou de Marvin Gaye são criativas o suficiente para quase fazer esquecer isso mesmo. Por outro lado, foi graças a esta tarimba que os Pop Five chegariam ao excelente conjunto de seis singles editados entre 1970 e 1972, construindo um reportório próprio que os colocava acima da grande maioria dos grupos nacionais e ao nível das formações britânicas de então. Em CD, a totalidade deste álbum encontra-se no duplo "Odisseia - Obra Completa 1968-1972".

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Contos Velhos, Rumos Novos

José Afonso
Contos Velhos, Rumos Novos
Orfeu STAT 004
1969
LP

1. Bailia (Airas Nunes / José Afonso)
2. Oh! Que Calma Vai Caindo (Popular Malpica, Beira Baixa)
3. São Macaio (Popular Faial, Açores)
4. Qualquer Dia (Fernando Miguel Bernardes / José Afonso)
5. Vai, Maria Vai (José Afonso)
6. Deus Te Salve, Rosa (Popular Trás-os-Montes)
7. Lá Vai Jeremias (Popular Malpica, Beira Baixa)
8. No Vale de Fuenteovejuna (Lope de Vega - versão moderna: Natália Correia / José Afonso)
9. Era de Noite e Levaram (Luís Andrade / José Afonso)
10. Já o Tempo se Habitua (José Afonso)
11. A Cidade (José Carlos Ary dos Santos / José Afonso)

José Afonso: voz
Rui Pato: guitarra, marimbas, harmónica
Luís Filipe Sousa Colaço: 2ª guitarra
José Fortunato: cavaquinho
Adácio Pestana: trompa
Teresa Paula Brito: voz

Segundo álbum de José Afonso para o selo Orfeu, de Arnaldo Trindade, aqui se reunem alguns dos lugares-chave da obra do músico. Por um lado, as canções tradicionais (quatro, neste caso, todas bem conhecidas e cujas leituras viriam a ser determinantes na geração de grupos de recolha que surgiria uma década depois); por outro, a adaptação de poemas medievais ou renascentistas ("Bailia" e "No Vale de Fuenteovejuna", embora Camões acabasse por ser o autor preferido de José Afonso e de quem musicaria três poemas); por outro ainda, a composição sobre poemas de autores contemporâneos ("Qualquer Dia", "Era de Noite e Levaram", com o seu texto de dénúncia directa, e o elegíaco "A Cidade") e, por último e o mais comum na sua carreira, os temas com letra e música de sua autoria ("Vai, Maria Vai", em dueto vocal com Teresa Paula Brito, e "Já o Tempo Se Habitua"). Se não bastasse este leque de excelentes composições, há ainda o omnipresente (nesta fase) Rui Pato, o guitarrista Luís Filipe Colaço (ex-Álamos, grupo pop rock de Coimbra) e Adácio Pestana (irmão mais novo de Duarte Pestana - autor da música "Angola É Nossa" - e tragicamente desaparecido na sequência de um acidente de automóvel em 2004). Que o tempo nunca se habitue a deixar passar ao lado obras deste calibre!